Operação Cátedra expõe abusos de professor e falhas na proteção infantil em MT
- MAGAL LOPES
- 17 de set.
- 2 min de leitura

A deflagração da Operação Cátedra, nesta quarta-feira (17), em Alto Araguaia (MT), revelou um dos episódios mais perturbadores da relação entre autoridade acadêmica e vulnerabilidade social. Um professor universitário de 27 anos foi preso preventivamente sob a acusação de estupro de vulnerável e pornografia infantil, após investigações que apontaram não apenas abusos diretos contra crianças, mas também o aliciamento de alunas em sala de aula. O caso vai além do crime individual: lança luz sobre fragilidades institucionais e sociais que permitem que situações como essa ocorram e se prolonguem.
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De acordo com a Polícia Civil, o investigado se valia de sua posição de docente do curso de Agronomia para estabelecer vínculos abusivos com alunas, além de relatar práticas ainda mais graves: manter relações sexuais com crianças, inclusive menores de um ano de idade. As apurações apontam que o professor chegava a pagar às famílias das vítimas para ter acesso às crianças, naturalizando um esquema que desnuda vulnerabilidades socioeconômicas exploradas de forma criminosa.
O trabalho contou com a cooperação da Polícia Federal, por meio do Sistema Rapina, que já monitorava o suspeito. Informações trocadas entre instituições confirmaram a circulação de imagens e vídeos de exploração sexual infantil enviados pelo professor a terceiros, incluindo alunas de sua turma. Essa constatação reforça a suspeita de que o docente não agia isoladamente, mas sim dentro de uma rede maior de consumo e compartilhamento de pornografia infantil.
O cumprimento dos mandados de busca e apreensão resultou na coleta de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, que serão analisados para identificar novas vítimas e possíveis cúmplices. A prisão, embora significativa, traz questionamentos sobre como um indivíduo nessa posição conseguiu exercer atividades docentes enquanto mantinha condutas tão graves, sem que sinais de alerta fossem acionados pelas instituições acadêmicas ou pela comunidade universitária.
Especialistas em segurança e direitos da infância apontam que o caso expõe a fragilidade de políticas de prevenção em ambientes educacionais. A ausência de protocolos claros para denúncias e a dificuldade de estudantes em relatar abusos por medo de retaliação revelam um ambiente ainda hostil à proteção de vítimas. Além disso, a prática de pagar famílias pobres para abusar de crianças denuncia o quanto a desigualdade social funciona como combustível para crimes de exploração sexual.
A prisão do professor é apenas o primeiro passo em uma investigação que promete se aprofundar. A Polícia Civil seguirá no rastreamento de cúmplices e na identificação de todas as vítimas. Contudo, a reflexão mais urgente recai sobre a necessidade de políticas públicas que unam educação, segurança e assistência social em uma rede de proteção mais eficiente. A Operação Cátedra não deve ser vista apenas como um caso isolado, mas como um alerta sobre a gravidade da exploração infantil e sobre a urgência de medidas capazes de impedir que autoridades acadêmicas abusem de sua posição para perpetuar práticas tão devastadoras.
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