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Educação é o caminho para enfrentar a epidemia de violência doméstica em MT

  • Foto do escritor: MAGAL LOPES
    MAGAL LOPES
  • 14 de set.
  • 2 min de leitura
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Mesmo que houvesse penas ainda mais severas e que todas as penitenciárias fossem destinadas apenas para os réus de violência doméstica, os crimes de gênero contra as mulheres continuariam em índices elevados. Somente a educação vai assegurar que as crianças e adolescentes de hoje, que se tornarão homens no futuro, tratem as mulheres com respeito.


A perspectiva é sustentada pela pedagoga e servidora pública Roselei Hendges da Cruz, em seu estudo acadêmico desenvolvido a partir de pesquisa envolvendo quase dois mil casos enquadrados na Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) e na Lei 14.994/2024 (Lei do Feminicídio).


É essencial que a legislação chegue até as mães e as escolas, responsáveis pela educação das crianças e adolescentes. “É certo que a educação vem de berço, mas a escola é importante, porque assegura conhecimento científico e contribui na formação do caráter”, observou a pesquisadora.


“Se o menino ou adolescente presencia a sua mãe sendo maltratada pelo pai ou outro companheiro, aquilo fica martelando em sua cabeça por muito tempo. Depois, quando adulto, pode se tornar um agressor, seja por não considerar errado ou até mesmo para se vingar das agressões sofridas pela mãe”, argumentou Hendges da Cruz.


A acadêmica lembra que Mato Grosso é o líder nacional em casos de feminicídios, com 99 casos registrados em 2024. E o que mais assusta é que, em 2023, o estado já tinha sido o recordista nacional, com 103 assassinatos motivados por questão de gênero - feminicídios. Ela ainda reforça que o réu, se condenado, está sujeito a penas que variam de 20 anos a 40 anos de reclusão, mas isso não tem sido suficiente para evitar a escalada da violência doméstica.


“Temos que tratar a sociedade, como um todo. Mato Grosso não é uma ilha e vejo que o problema aflige todo o Brasil. Então, sem dúvida, se torna essencial que nossas crianças, principalmente os meninos, sejam educadas, desde a tenra idade, para respeitar as mulheres”, sintetizou a pesquisadora.


A tese de Roselei Hendges está mais próxima à do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, de que “o homem não nasce mau”, mas é corrompido pela sociedade. Na linha de pensamento de Russeau, a pedagoga Hendges da Cruz combate a tese de Thomas Hobbes, de que “o homem nasce mau e egoísta, sendo a sociedade organizada necessária para evitar o caos”.


Em sendo assim, o estudo de Roselei Hendges da Cruz aborda a visão contemporânea e científica, sugerindo que a natureza humana não é pura bondade ou maldade, mas sim um misto de sentimentos.


LÍDER DE FEMINICÍDIOS


Pelo segundo ano consecutivo, Mato Grosso registrou a maior taxa de feminicídios do país em 2024: 2,5 casos por 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No cenário nacional, foram registrados 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde que a lei foi criada, em 2015. O total representa um aumento de 1% em relação a 2023.


A maioria dos crimes ocorreu dentro da casa da vítima, especialmente entre mulheres de 18 a 24 e de 35 a 39 anos.


FONTE:ESTADÃO MT

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