"Dono da Quebrada" volta a ser preso dias após ser liberado em audiência de custódia
- MAGAL LOPES
- 9 de set.
- 3 min de leitura

A Justiça de Mato Grosso determinou novamente a prisão de Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como "Dono da Quebrada", por liderar esquemas de tráfico de drogas e jogos online da facção Comando Vermelho (CV), na região Metropolitana. A decisão foi cumprida nesta segunda-feira, 8 de setembro, por policiais da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
Dono da Quebrada, os irmãos dele e demais membros da organização foram alvos da Operação Ludus Sordidus, deflagrada no dia 21 de agosto. Eles lideravam um esquema que movimentou em torno de R$ 13 milhões.
Durante audiência de custódia, o juiz Moacir Rogério Tortato acabou acatando um pedido feito pela defesa do suspeito e converteu sua prisão preventiva por medidas cautelares. Ele foi liberado para comparecer ao enterro do irmão, que morreu durante a operação, ao reagir e trocar tiros com os policiais civis que tentavam cumprir mandado de prisão.
Em manifestação, o Ministério Público do Estado (MP-MT) apontou que "Dono da Quebrada" continuou a liderar o esquema criminoso, mesmo após ser alvo da operação. Por isso, o MP pediu a revogação da prisão domiciliar do investigado.
O pedido foi aceito pela juíza Fernanda Mayumi Kobayashi na última sexta-feira, 5 de setembro, e a decisão foi cumprida na manhã desta segunda-feira. Em vídeo compartilhado nas redes sociais, é possível ver agentes do GCCO colocando o criminoso em uma viatura.
Com isso, Sebastão deverá ser encaminhado para uma unidade prisional do estado.
INVESTIGAÇÕES
As investigações iniciaram em dezembro de 2023, após a interrupção de uma reunião comunitária no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. Na ocasião, integrantes de uma facção criminosa encerraram o encontro sob ameaças, em uma clara tentativa de demonstração de poder do grupo criminoso.
A motivação dessa dissolução seria "política", pois a irmã de um dos investigados era pré-candidata a vereadora e a reunião teria sido interpretada como um evento político, devido a presença de um secretário de Estado.
A partir da ocorrência, foi instaurado inquérito policial na GCCO/Draco para apuração dos fatos e com avanço dos trabalhos investigativos foi possível identificar um grupo da facção criminosa estruturada para a prática de crimes na região do bairro Osmar Cabral, Jardim Liberdade e adjacentes.
Atuação criminosa
Entre os alvos identificados está um dos líderes do grupo criminoso, que sob a fachada de ações sociais e atuação como presidente de time de futebol amador, nas verdade, monopolizava as práticas criminosas em alguns bairros (denominada quebrada), controlando e lucrando com atividade criminosas de tráfico de drogas, estelionatos e jogos ilegais.
Ele recebia mensalmente 10% dos lucros da plataforma de apostas ilegais, além de valores oriundos do tráfico e de golpes aplicados em plataformas de compra e venda pela Internet. Também foi identificado que um de seus liderados, mesmo faccionado que dissolveu a reunião de bairro, foi quem promoveu, mais tarde, as extorsões de comerciantes em Várzea Grande e Rondonópolis.
Outro dos faccionados pertencente ao grupo é um conhecido influencer de Várzea Grande que ostentava grandes quantias em dinheiro, viagens e cruzeiros em redes sociais. Ele fazia parte do grupo que explorava "bets" financiando a facção e foi preso recentemente por tráfico de drogas.
Os integrantes da facção criminosa ostentavam veículos de luxo e imóveis incompatíveis com renda lícita, como casas, prédios comerciais e galerias de lojas, sendo estes alvos de sequestro na operação, visando a recuperação de ativos e desarticulação do grupo criminoso. O grupo também contavam com o uso de pessoas interpostas (laranjas) para aquisição de veículos, bem como recebimento de valores de origem ilícitas.
FONTE:ESTADÃO MT
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