38 anos do Césio-137: MaisGoiás.doc mostra como tragédia abriu ferida eterna no coração da mãe de Leide das Neves
- MAGAL LOPES
- 28 de set.
- 2 min de leitura

O dia 27 de setembro de 1987 ficou para sempre na memória de Goiás e do Brasil. Marca a data em que as comunidades goiana, brasileira e internacional tomaram conhecimento de que o maior acidente radiológico do mundo, com o Césio-137, tinha acontecido em Goiânia, no dia 13 daquele mesmo mês. Mais de mil pessoas foram contaminadas e quatro morreram em decorrência direta da exposição à substância radioativa. Até hoje, vítimas convivem com sequelas e lutam por dignidade e justiça. É na história delas que o Mais Goiás mergulha com o documentário 38 anos do Césio-137: a tragédia que marcou Goiás e o Brasil, lançado neste sábado (27/9).
Entre as histórias mais dolorosas está a da pequena Leide das Neves, de apenas seis anos. Ela se encantou com o brilho da pedra retirada de um aparelho de radioterapia abandonado em Goiânia e não sobreviveu ao contato. A mãe dela, Lurdes Neves Ferreira, ainda lamenta a tragédia. Ele divide sua vida em duas partes: antes e depois do césio.
“Antes, eu era feliz. Depois, tudo acabou. Foi muito triste me despedir da minha filha sem saber o que estava acontecendo, sem imaginar o que viria. Poucos dias depois, eu a recebi de volta. Dentro de um caixão. Esse vazio nunca vai embora.”
Lurdes lembra que o primeiro contato com o pó radioativo causou estranheza, mas não despertou interesse. Para a filha, no entanto, o brilho parecia mágico. “A primeira impressão que tive quando vi aquela pedra que brilhava no escuro foi de receio. Eu me senti mal, não quis tocar. Mas minha filha ficou fascinada. E tudo aquilo destruiu a nossa família para sempre”, diz com pesar.
O impacto da tragédia foi coletivo. Vilma, outra vítima do acidente, relembra que o medo dominava a cidade, em um clima de incerteza. “Era como se fosse o fim do mundo. As pessoas não sabiam o que fazer, tinham medo de se aproximar da gente. Aquilo se assemelhou muito ao que vivemos anos depois com o coronavírus: o isolamento, a desinformação, o preconceito.”
O acidente que chocou o mundo segue como um lembrete de que a negligência pode ter consequências irreversíveis. A cada setembro, a tragédia do Césio-137 ressurge não apenas na memória de quem viveu o medo e a perda, mas também como um alerta para as novas gerações.
FONTE:MAIS GOIÁS
GIRO DE NOTÍCIA










%2016_15_10_74ea361d.jpg)
Comentários